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sábado, 6 de abril de 2013

Uma Aventura da Páscoa - caça aos Ovos da Páscoa


Uma Aventura de Páscoa

A Caça aos Ovos de Páscoa

 

Vasco,  Pedro,  Beatriz, João e Constança, - estes eram os netos da Avóinha que vos vai contar uma história divertida, que se passou nas férias da Páscoa dum ano não muito longe e num local bem conhecido da Avóinha e dos 5 netos).

Acabou o trimestre escolar, vêm as férias da Páscoa, e os netos estão “elétricos” com a ida para a quinta! O Vasco e o João que vêm também duma quinta nos arrabaldes duma grande cidade, fizeram as malas e não se esqueceram das galochas, uma pilha, uma corda bastante comprida e forte. O Pedro que é da cidade não se esqueceu do GPS, um livro de apontamentos e um lápis. As meninas que vêm da Bélgica esqueceram-se de tudo exceto duma bela caixa de chocolates, bem cheiinha, com duas camadas.

Naquela manhã, logo bem cedinho, e depois de passarem uma noite em branco a planearem a aventura que iam viver, saíram, bem á socapa, passando pelo frigorífico para se abastecerem. E ainda passaram pela coelheira para levar um saco bem cheio de coelhos. Com uns euros que levaram foram a venda comprar umas bolachas e dois litros de leite. A vendedeira desconfiou daquela compra feita tão cedo, mas eles disfarçaram dizendo que vinham de mando da Avó.

 Na povoação pararam para chamarem o Manuel, o neto da cabeleira, que era também um aventureiro e que se entendia muito bem com eles.

Depois seguiram a rota combinada. Uns quilómetros, muito poucos, pela estrada, pois podiam ser encontrados… e depois por matas, olivais, searas, pastagens para ovelhas. Andaram muito para se aproximarem da serra da Malcata, sítio onde eles sabiam que podiam encontrar linces. Ao pé de uma bela lagoa pararam para almoçar. Que belo almoço: tinham encontrado no frigorífico bolos de arroz da Avóinha, fiambre e laranjas que apanharam pelo caminho, e claro os belos chocolates das meninas!

Já estavam preparados para a função seguinte: alimentar os poucos linces que ainda viviam na serra da Malcata. Ouviram dizer que há muitos muitos anos viviam por ali várias famílias, todos se davam bem; não lhes faltava comida, nem abrigo, nem eram perseguidos. Entre todos aqueles linces havia um que era o encanto das fêmeas. Além de ser esbelto, ágil e bem musculado era também meigo, compreensivo e educado. Foi esse que conseguiu sobreviver acompanhado duma fêmea e os poucos que restavam agora, eram filhos, netos e bisnetos desses linces.

Queriam tanto salvar esses linces. Era uma aventura difícil mas cheia de bons propósitos, assim eles se entusiasmavam uns aos outros. Primeiro era preciso encontrar os locais onde eles paravam. O Manuel alvitrou que se podiam encontrar a beira da água onde eles vinham beber e nos eucaliptais e pinhais porque eram felinos e gostavam de trepar às árvores. O Pedro ia anotando no caderno todos os locais escolhidos.

Era tão pesado o saco dos coelhos, revezavam-se e lá o iam aguentando a pouco e pouco. Já cansados e com algum medo porque os linces são carnívoros (alimentam-se de coelhos) e podiam dar uma dentada naqueles meninos tenrinhos. Tão entusiasmados os amigos nem se lembraram que era quase noite e que ninguém sabia deles em casa. O Vasco que andava a deambular por ali viu uns olhos muito brilhantes, era um lincezito que andava também à procura de uma aventura tal como eles, chamou os outros amigos, aproximaram-se e o lince assustado correu estonteado e caiu num buraco profundo com vários ramos de árvores a atulhá-lo. Os três rapazes resolveram lá ir para o salvar, foi preciosa a corda que levavam e a pilha para os alumiar. O Manuel e as meninas ficaram cá em cima e como ele era muito forte segurou bem a corda com as meninas a ajudarem. Lá subiram com o lincezito tão assustado, depois de o consolar com um belo coelho bem gordinho e se deliciar com os chocolates das meninas, passou-lhe logo o medo e nem se fala, matou a fome e ficou muito bem disposto. Era lindo e simpático o lincezito, bem se via que era descendente daquele avô esbelto e ágil, bem musculado, e também meigo, compreensivo e educado. Brincaram, brincaram, esquecidos das horas e depois o lincezito, que agora já tinha nome, era o Felino feliz, foi-lhes ensinar onde deixarem os coelhos para serem comidos pelos outros linces.

Entretanto, em casa, os Avós e os Pais dos meninos estavam assustadíssimos. Bem lhes telefonavam mas os telemóveis estavam em zona sem rede e não respondiam. Apareceu a cabeleireira também assustada, era a última a ter novas do grupo, iam todos muito bem dispostos e dirigiram-se para os lados de Penamacor. Resolveram fazer uma batida com os automóveis à procura deles, mas o único carro preparado para maus terrenos era o jipe, e os outros lá iam como podiam.

Alturas tantas, o jipe lá se encontrou com meia dúzia de meninos que iam muito apreensivos pela estrada fora, com o Pedro a tentar localizá-los com o GPS. Foi um alívio. O Avô que ia ao volante fez uma festa e logo telefonou para os Pais para lhes dar a boa nova. Foi tal a alegria que ninguém se lembrou de ralhar aos meninos pela peripécia!...

No dia seguinte era dia de Páscoa. Os meninos foram com os Avós levar de presente ao Felino Feliz todos os ovos que tinham arranjado para essa Páscoa. Ele tinha gostado tanto de chocolate!...

 

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Menino, a Nuvem, a Andorinha ea Amiga


O Menino, a Nuvem, a Andorinha e a Amiga

Era uma vez um Menino que vivia numa nuvem…
Não me perguntem como lá foi parar. Não sei...
Nasceu lá?... Foi em pequenino?...
Não sei… nem interessa para a nossa história.
Só sei que vivia lá e parecia feliz.

Andava sempre descalço, a nuvem era macia, fazia-lhe cócegas nos pés e isso era agradável.
Também não precisava de se vestir, quando tinha frio enrolava-se nos flocos de algodão da nuvem e ficava quentinho.
Para comer, era só chupar o ar da nuvem e ficava alimentado.
Para dormir, aquele colchão de nuvens era o melhor do mundo.

Mas, passado algum tempo, o Menino começou a andar triste, não sabia o que tinha…
Resolveu chamar a Mãe Natureza para lhe pedir ajuda. Disse-lhe: “Não sei o que tenho. Nada me falta nesta nuvem tão bonita, mas, sinto-me triste”.
A Mãe Natureza percebeu logo o que se passava: “Estás triste porque precisas de um ser vivo ao pé de ti, na nuvem é tudo bom, mas não há vida e por isso te sentes só. Vou-te ajudar.”

Saiu dali e deu logo ordem a uma andorinha que andava na Terra para que voasse para a nuvem e fosse fazer companhia ao Menino.
Ela voou, voou, durante dias e chegou muito cansada. O Menino preparou-lhe logo uma covinha, entre os flocos da nuvem, para poder descansar.
Lá se instalou e começaram a conversar. Ela falava e ele ouvia. Ela tinha muito que contar: Falou-lhe dos beirados dos telhados onde ela e as amigas faziam os ninhos para os seus filhos, disse-lhe que a Mãe Natureza na Terra era muito bonita, falou-lhe dos mares, dos rios, dos lagos, das fontes, das florestas, dos montes, dos vales, dos campos e das flores.
E o Menino ouvia e fazia perguntas e já se ria e estava mais contente.
E ela não o quis desgostar, e por isso não teve coragem para lhe dizer que na Terra também havia homens maus que estragavam a Natureza.

O Menino gostava de poder ter algumas daquelas coisas de que a andorinha falava. Então lembraram-se que ela podia ir à Terra buscar algumas sementes para semear na nuvem.
Voltou a fazer a grande viagem e regressou passado dias, carregada de sementes e muito, muito cansada. Aninhou-se no ninho fofinho e lá ficou enquanto o Menino foi semear todas aquelas sementes. Ao voltar encontrou-a feliz, no seu ninho, a chocar 5 ovinhos.

Entretanto aquela nuvem foi-se transformando. As sementes germinaram, já havia erva, flores, arbustos e árvores grandes a crescer. As crias da andorinha já tinham nascido e esvoaçavam por todo o lado, felizes. O Menino e a andorinha estavam contentes. A Mãe Natureza apareceu para lhes fazer uma visita. Ficou encantada com o trabalho que tinham feito e resolveu colaborar também. Com a sua varinha mágica aumentou a nuvem, deu um aspecto diferente às plantas e povoou tudo com animais.
Apareceu um lago com peixinhos. À volta do lago relva, depois um jardim com canteiros de flores de todas as cores, sebes, um olival, uma seara, até um pequeno laranjal e lá muito ao longe uma floresta. E por todo o lado animais. No jardim havia borboletas e um gato esticado ao Sol, atrás das sebes cavalos e vacas a pastar e um rebanho de ovelhas acompanhadas por um cão pastor. No olival havia coelhos que corriam para um e outro lado e lá longe na floresta, com certeza, muitos animais selvagens.

A Mãe Natureza também vestiu o Menino, deu-lhe umas botas, ensinou-o a fazer uma choupana e a colher os frutos para se alimentar. Depois foi-se embora e deixou o Menino e a andorinha felizes.

Só passado algum tempo é que a andorinha, que andava radiante com as suas crias, reparou que o Menino, embora não dissesse nada, às vezes, sentava-se no chão, cruzava os braços punha-se a pensar, chorava e as lágrimas caíam e desfaziam-se na relva. Ficou apreensiva. O que havia de fazer? Ele não queria falar…

Aquela tristeza durou muito tempo e a andorinha um dia resolveu ter uma conversa séria com o Menino.
“O que é que tens? Não estás contente? A Mãe Natureza ajudou-nos a fazer um mundo tão bonito, só para nós, nada nos falta e tu estás triste?”
“É verdade,” respondeu o Menino, “temos tudo o que impressiona os nossos sentidos: Vemos as lindas cores, as paisagens, os animais nossos amigos e eu vejo-te a ti e tu vês-me a mim. Ouvimos mil sons maravilhosos, o rio a correr, o vento a assobiar nas árvores, os pássaros a cantar. Sentimos o aroma das flores e o cheiro da relva acabada de cortar. Apreciamos o mel das nossas abelhas e o gosto das nossas frutas maduras. Acariciamos os nossos animais: a garupa do cavalo, a lã das ovelhas, e brincamos com os seixos redondos dos nossos rios. Pois é temos tudo isto, mas…”
“Mas quê?” insistia a andorinha admirada, “tens tudo… que mais precisas?”
“Tu não podes compreender, tens os teus filhos, a mim o que me falta…”, dizia o Menino “é alguém em quem eu possa confiar, que me possa entender e eu entendê-lo, que me possa ajudar e eu ajudá-lo, que possa rir e chorar comigo… Tu és minha amiga mas és diferente… não, não podes perceber…”
“Lá isso é verdade, não percebo nada” e a andorinha já meio arreliada, encolhia os ombros: “vocês, os Meninos são tão complicados!”
Desta vez, foi o Menino que se zangou: “Insuportável andorinha, não percebes mesmo nada. Aquilo que me faz falta, mesmo muito falta, até neste preciso momento, é um AMIGO.”
E o Menino desatou a chorar e a andorinha desgostosa não o soube consolar.

Felizmente andava por perto a Mãe Natureza e ouviu aquela conversa. Ela compreendia o Menino e para dizer a verdade até estava à espera daquela reacção.
Então disse-lhe: “Eu posso resolver o teu problema, posso dar-te uma AMIGA com quem te entendas muito bem e com quem poderás até povoar o teu pequeno planeta. Sim, tu agora já não vives numa nuvem fofinha mas num pequeno planeta, que eu e tu e a andorinha fomos criando a pouco e pouco. Mas só te dou essa AMIGA se ambos me fizerem uma promessa solene: Hão-de cuidar sempre muito bem do vosso planeta. Não haverá poluição, nem guerras, nem maldade, nem pessoas egoístas a quererem tudo só para si.”
O Menino concordou logo. Gostava tanto da sua nuvem-planeta, era mesmo o que queria, tê-la sempre impecável e viverem nela em Paz e com Alegria.

No dia seguinte, que era domingo de Páscoa, chegou a Amiga, a Menina. Veio num balão de ar quente todo enfeitado com flores e acompanhada pela Mãe Natureza. Não me perguntem donde vinha, não sei, nem isso faz diferença para a nossa história, estava ali para ser a AMIGA do Menino e tornar alegre aquele pequeno planeta.
Fizeram os dois a promessa solene à Mãe Natureza, na presença de todos os animais, e passou a ser essa a preocupação maior da sua Vida: manter o planeta limpo, arejado, produzir alimentos saudáveis, dar trabalho a todos, ajudarem-se uns aos outros, divertirem-se sem se incomodarem, enfim, serem criativos, responsáveis, alegres e diligentes.
Houve uma grande festa. Cantaram, dançaram, divertiram-se e comeram muitos ovos de chocolate. Tantos, que no fim ainda sobraram para enviar para a Terra e se espalharem por aí, pelos nossos quintais.
Prometam também à Mãe Natureza cuidar bem dela e corram a apanhar os ovos de chocolate (olhem que são de produção biológica). Juntem-nos num grande cesto para que depois os possam dividir igualmente por todos os meninos, para que todos fiquem amigos.

domingo, 28 de março de 2010

Histórias para a Páscoa - A Pata Genoveva

CATRAPUZ!...
O que é isto... Que aconteceu?... Estava a dormir tão bem, na minha cama, tão sossegada, e… de repente… Que é isto?... Que foi?... Um bicho?... Tem penas e faz cuá-cuá… Esfrego os olhos, penso que foi um sonho mau, mas o bicho está a mexer-se… e eu cheia de medo encolho-me, escondo a cara na almofada… e agora o bicho puxa-me pelos cabelos, faz-me cócegas atrás das orelhas… quer mesmo chamar a minha atenção!…
Não, assim não pode ser. Eu sou corajosa! De um pulo sento-me na cama, cruzo as pernas, e… à minha frente está uma pata. Que linda pata! Toda branca, gordinha, a piscar-me o olho e a rir-se para mim.
Estou mesmo a ver que não acreditam no que eu digo… Mas olhem que é verdade e eu vou explicar:
Hoje é Domingo de Ramos, de hoje a oito dias Domingo de Páscoa. Eu andava aflita, ainda não tinha história para os netos, nem tempo para a escrever, nem ideias engraçadas, nem malucas, nem desajeitadas…
Então a minha imaginação descobriu a pata, e ela aqui está, de carne e osso, aterrou em cima da minha cama e prepara-se para nos contar a sua história.

História da Pata Genoveva

Eu sou uma pata lisboeta. O meu Pai e a minha Mãe viviam no Campo Grande mas quando resolveram ter uma família mudaram-se para o Jardim da Estrela. Era mais abrigado, não tinha tanta poluição e como tem gradeamento a toda a volta, eu e os meus irmãos ficaríamos mais protegidos. Assim, num ninho à beira do lago, onde a minha Mãe pôs oito ovos e onde durante quatro semanas os chocou com muito amor e carinho, nascemos nós, seis patas e dois patos. A mim puseram-me o nome de Genoveva, Genoveva Pata Estrela, nascida na freguesia da Lapa, concelho de Lisboa, no dia 18 de Junho de 2004, só não tenho nº de B.I. porque os patos não usam bilhete de identidade.

Cresci no Jardim da Estrela, muito feliz. Brincávamos, eu e os meus irmãos, nadávamos e mergulhávamos no lago e gostávamos de andar sempre em fila uns atrás dos outros. Parece que eu era a mais atrevida, dizem os meus Pais. Gostava de pregar partidas às pessoas que passeavam no jardim, sobretudo aos namorados que estavam sempre tão entretidos que nem davam pela falta dos lenços e carteiras delas, com que eu gostava de me enfeitar, ou dos óculos escuros e bonés deles com que eu fazia palhaçadas e divertia os meus irmãos. Uma dia apanhei um MP3, puz os auscultadores nos ouvidos e… foi uma festa! Dancei, dancei, dancei sem parar! Juntou-se uma roda de gente, aplaudiam, batiam palmas e diziam: A patita tem alma de artista!
A minha Mãe é que não gostou nada: “Oh Genoveva, foi esta a educação que te dei? Uma menina pata bem-educada deve ser recatada”.
Agarrou-me pelo rabito e lá me levou, aos trambolhões, para a casa dos patos, à beira do lago. Chorei, chorei, toda essa noite!... O meu desgosto não era tanto por a minha Mãe me ter ralhado, era sim, por ter descoberto que era uma pata artista e que se calhar a família não ia gostar nem ia apoiar a minha arte.
Nos primeiros tempos foi duro, chamavam-me maluca, riam-se, e os meus irmãos atrás de mim, cantavam assim:

Genoveva, Genoveva,
Ninguém te quer, ninguém te leva,
Tem graça uma pata actriz?
Só, com um dedo no nariz!
E nos estúdios da televisão?
Pata é boa p´ra lavar o chão!
Genoveva, Genoveva,
Ninguém te quer, ninguém te leva…

Mas eu nunca desisti. Treinei, às vezes escondida atrás das árvores, estudei, fiz ginástica, ballet, tirei cursos de arte. Logo que comecei a ter asas bastante fortes para poder voar, atrevi-me a sair do jardim e voei até ao Chapitô*. Aí ensinava-se arte a sério e ninguém se importava com a aparência dos outros, aceitaram-me mesmo sendo pata e fiz-me uma grande artista.
Ao voltar ao jardim o ambiente era outro. Os meus Pais envaideciam-se com a minha arte, os meus irmãos entusiasmavam-se e queriam sempre assistir aos meus espectáculos. Os jardineiros, tratadores de animais e guardas que trabalhavam no jardim orgulhavam-se de mim. Os passeantes, namorados, velhotes, avós com os seus netinhos, garotos vindos das escolas, todos passaram a ser meus incondicionais espectadores
Consegui fazer o que queria na vida. Hoje sou uma artista consagrada. Há cartazes por Lisboa a anunciarem as minhas actuações, já trabalhei no Teatro D. Maria II e até já contracenei com a Eunice Munhoz e com o Rui de Carvalho!

Deves estar agora a pensar porque é que eu vim parar aqui, acima da tua cama, e, agora, na altura da Páscoa. É que os artistas gostam sempre de colaborar nas boas causas. E é uma boa causa distribuir ovos de chocolates pelos meninos de todo o mundo no Domingo de Páscoa.
Queres-me dar os teus ovos para eu os ir esconder por esses jardins do mundo inteiro? Como tenho umas asas fortes consigo chegar a toda a parte… E. também posso fazer os meus números artísticos, e que poderão ser vistos por todos os meninos com os olhos da sua imaginação…


Páscoa, 2010

Maria da Assunção Ferraz de Oliveira

*Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A bailarina e a ventoinha

HISTÓRIA PARA A PÁSCOA

Está frio, está a chover, quase a nevar.
E estamos na Páscoa e na Páscoa costuma estar sol e bom tempo, mas este ano não é assim. Os anos não são todos iguais. As pessoas também não são todas iguais e até a mesma pessoa muda conforme os dias, os locais, os amigos que tem à volta. Às vezes estamos tristes, outras alegres, outras cansados, outras cheios de energias.
Eu estou à lareira no Pedrógão. Não estou cansada, nem triste nem alegre, estou sozinha e com alguma energia. Quero escrever a história da Páscoa para os meus netos e para outros meninos se a quiserem ouvir. Numa Páscoa fria não há patas a voar mas tem de haver ovos para procurar no jardim…
As labaredas da lareira parecem bailarinas a dançar e às vezes há uns estalidos e saem muitas luzinhas vermelhas, é mesmo lindo… Irradia calor a lareira e o calor é bom agora no tempo frio, no verão não, gostamos mais de ventoinhas, embora eu não consiga descobrir nas ventoinhas nenhuma poesia.
Que bom! Agarrei a história, já tenho nome para ela e começo a ter ideias para a compor:

A BAILARINA E A VENTOÍNHA

Era uma vez uma menina chamada Margarida. Nasceu muito pequenina, feiinha, com pouco cabelo e com umas orelhas enormes.
As pessoas más quando a viam, chamavam-lhe “careca orelhuda”.
As pessoas boas diziam: “Deixa-os, não lhes ligues, vais ver que ainda hás-de valer mais do que todos eles.”
A menina foi crescendo e tinha muito talento: gostava de música, dançava, os pezinhos eram leves como nuvens e o corpo e os braços pareciam as labaredas da lareira.
E mais ainda, descobriu que tinha o mesmo nome que uma grande bailarina “Margot Fontein” e por isso decidiu que seria bailarina.
O pior era as orelhas. Tudo nela bailava: o corpo, as pernas, os braços, as mãos. Só as orelhas teimavam em abanar, sem graça nenhuma, como o abano que tenho aqui na minha frente e serve para espertar o lume.
Era triste, a Margarida, por causa das orelhas…
Um dia, teve uma ideia, tão simples, tão simples, que ficou admirada por nunca a ter tido antes: Arranjou um turbante, pô-lo à volta da cabeça e guardou, dentro dele, as orelhas. E a menina triste passou a ser uma menina alegre: Saltava, dançava em pontas, fazia a espargata, e as orelhas nunca mais a incomodaram.
Tornou-se uma grande bailarina. Usava sempre o seu turbante. Variava as cores e o feitio. Turbantes azuis da cor do mar, amarelos, cor de rosa, vermelhos, pretos, mudavam conforme as músicas que dançava. E os feitios também: tinha-os com forma de pássaros, de búzios, de toucas de renda. Muitas vezes inspirava-se nos lenços das mulheres africanas.
Passou a ser conhecida como a “bailarina do turbante”. E começou a correr mundo: tão depressa estava na China, como na América, ou em África ou na Europa. Em toda a parte era aplaudida, todos gostavam dela, todos a queriam ver dançar.
E a menina dançava, dançava, e às vezes pensava: Tantas crianças tenho visto pelo mundo fora e todas gostam de mim. Serão crianças felizes? Haverá alguma que, como eu em pequenina, teve grandes desgostos? Serão tristes?...
E parecia-lhe que sim: lembrava-se dos meninos com fome e frio, daqueles a quem tinham morrido o Pai, a Mãe ou os dois, os que tinham desgosto porque não conseguiam aprender na escola ou porque se achavam feios, os que pensavam que os outros meninos não gostavam deles e até os que choravam e se sentiam tristes sem nenhuma razão para isso.
E esta ideia dos meninos infelizes cada vez a afligia mais. O que poderia ela fazer para lhes dar, ao menos, um bocadinho de alegria?
Era preciso uma ideia… uma ideia…
E como a Avóinha, no princípio desta história, teve uma ideia luminosa, agarrou-a com força e deu-lhe “pernas para caminhar”.
Foi a casa de um amigo, o Henrique, que era mecânico de automóveis, um bom profissional, que, como ela, conseguia sair-se sempre bem das dificuldades. Pediu-lhe um motor que fosse leve e pequenino mas muito potente.
“É difícil” respondeu-lhe ele “mas vou tentar”. E conseguiu: Lembrou-se da energia solar, assim não precisava de um depósito de combustível e o motor saiu muito potente, leve e pequenino. “E agora vamos pô-lo no seu lugar. Preciso da tua ajuda” disse ela ao Henrique.
Como eram muito amigos nem se envergonhou de lhe mostrar as feias orelhas. “Preciso que me adaptes o motor, aqui atrás, na minha cabeça, e o ligues às minhas orelhas para fazer delas uma ventoinha. Quero correr mundo, ir visitar meninos tristes, assim poderei deslocar-me com facilidade”.
O Henrique colocou o motor, pôs-lhe as orelhas a bater, deu-lhes a forma de asas e até as tornou bonitas.
A Margarida durante a semana usava o turbante, dançava, dava espectáculos, era aplaudida por todos.
No fim-de-semana punha a ventoinha a trabalhar, ia visitar meninos, conversar com eles, contar-lhes a sua história, dar-lhes presentes.
E, assim, a Margarida era sempre feliz, com orelhas e sem orelhas, durante a semana e ao fim de semana.
Foi assim que ela fez muitos Amigos.
E num domingo de Páscoa, neste domingo de Páscoa, a sua alegria transbordou e foi pelo mundo fora a semear ovinhos de Páscoa por todos os quintais onde havia meninos.
Preparem-se para os procurar. Vão encontrar ovinhos de chocolate, mas mais importante do que eles é a mensagem que a bailarina Margarida vos vai deixar, oiçam-na com atenção:

“Não se assustem com as dificuldades,
Saibam ultrapassá-las e usá-las
para vossa alegria e daqueles que vos rodeiam.
Sejam felizes a fazer os outros felizes.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

História para procurar os ovos da Páscoa

Era uma vez
Uma pata Mãe
Comia e bebia
E dormia bem.
Tratava os filhinhos
Com muitos carinhos;
Se o Sol sorria
Era uma alegria!
E, se chovia...
Que sensação,
Tudo patinhava
E caía no chão!
De bolas de lama
Faziam a cama
E de papo pr´o ar
Toca a ressonar...

Eram dez os patitos,
Tão engraçados,
A Mãe tocava o apito,
E todos desengonçados,
Lá iam em fila
Bem alinhados!

Atenção! Muita atenção!
À frente vem o João,
Depois o Zé e o Salomão
De botas na mão!
Agora uma menina,
Que rabina, é a Carolina.
A seguir a Joana,
Outra mana que não engana,
A conversar com o Baltasar,
Ambos de rabinho a dar, a dar...
E o Aniceto, que não para quieto,
É um pato tão esperto!
Já só faltam três,
Cada um de sua vez,
Esta é a Maria Inês
Sempre a falar francês,
O Zé Renato Carrapato
A miar como um gato,
E mesmo no fim
Lá vem o Joaquim,
Tão constipado – Atchim! Atchim


A pata Mãe,
Toda encantada,
Desfaz-se em ovos
Para a pequenada!
De chocolate, são os tais,
Azuis e dourados,
Nenhuns iguais.
Há-os encarnados
Às riscas amarelas,
Cor de salmão
Com pintas ou sem elas,
Que grande confusão!

E os patinhos,
Entusiasmados
Empurram os ovos
Sem cuidados...
Escondem-nos sem querer
E sem ninguém ver:
Na horta, no quintal,
No jardim, no matagal,
Atrás de um muro,
Junto de um furo,
Debaixo duma flor,
Ou dentro dum regador!

No fim, já cansados,
Fogem os coitados.
A pata também abalou,
E ninguém ficou
Para nos contar
Onde os ovos ir buscar,
Por isso meninos:
TOCA A PROCURAR!


Páscoa de 2008
Para os netos Madalena, Vasco, Pedro, Beatriz, João e Constança e para os sobrinhos Duarte,Tomás e Henrique da

Avóinha Sãozinha

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Voo da Sofia

Era uma vez uma menina chamada Sofia,
Um dia a menina foi a casa da Tia…
A Tia, chamada Maria, vivia num pombal,
E a Sofia dizia: “Tia, aqui não se está nada mal!”

Quem era, então, a Tia da Sofia? Era uma pombinha,
Que dizia à Sofia, a pipilar: “Minha tontinha,
És uma menina, não tens asas, não sabes voar…
Eu te juro que algum dia te hei- de ensinar…

E a Sofia, que não acreditava, fugia e ria, ria e fugia…
E a Tia, entusiasmada, teimava, teimava… todo o dia!
E a Sofia, sempre a correr, sem os pés do chão tirar,
Dizia: Eu não sei voar… não sei voar… não sei voar…

Certo dia, em casa da Tia, teve fome a Sofia.
Como se alimentar, a menina que não sabia voar?
Comeu sementes: trigo, milho, tudo o que havia…
E passou a piar, a Sofia, tal como fazia a Tia Maria!

E a Tia, sem descansar, com a mesma mania, dizia:
“Tu és capaz de piar, Sofia estás a melhorar!
E por este andar, mais dia menos dia,
P´ra minha alegria, começas a voar!”

Primeiro com cuidado, p´ra se não magoar,
Depois mais depressa, com a ajuda da Tia,
A Sofia saltava e corria… batia palmas no ar!
E um dia, a menina, começou a voar! Viva a Sofia!

Para esta história acabar,
Um segredo vos vou contar:
Foi a Sofia a voar
Quem andou a espalhar
Ovos da Páscoa pelo ar,
P´ra garotada os encontrar!

Para os meus netos na Páscoa de 2008
Avóinha Sãozinha