sexta-feira, 26 de outubro de 2012


 

A TUA HISTÓRIA

  
Queria  contar uma história...
Não sei como começar...
Vou puxar pela cabeça,
Até que ela apareça!
Um. dois, três,...
Puxo, puxo... e outra vez...
E a história lá vem!
É tua e minha
E de mais ninguém.
Tu podes escolher:
Animais?
Burros ou pardais?
Pessoas?
Grandes? Pequenas? Más ou boas?
Flores?
Com muitas cores?
Não? Não queres nada assim?
Queres é a história de um pinguim!

 
........................................................

 
O nosso pinguim
Chama-se Joaquim.
Vive no Norte, nas terras frias,
Com o pai, a mãe e as tias.
Quando o frio aperta
E o vento vem,
Dorme, escondido,
Na asa da mãe!
Come o peixe
Que o pai pescou,
Mas o frio aumenta
E a água gelou...

 
Já não há peixes
Para pescar
E o pai do Joaquim
Tem de emigrar...
Ficam, a mãe e as tias,
Cada uma com suas crias.
Vão comendo os restos
Que o pai deixou.
E o Joaquim, sem perceber,
Pergunta à mãe:
Que vai acontecer,
Se a comida acabar
E o pai não voltar?
Reunem-se a mãe e as tias,
Para deliberar,
E resolvem andar...
Noite e dia...
Caminhar... caminhar...
Na direcção do sul,
Sem nunca parar...
Para os pais encontrar...
E lá vai o Joaquim,
O nosso pinguim,
Aos tombos, mal sabe andar,
Entre as patas da mãe,
A rebolar e a chorar...
Mas sempre a caminhar...
Até o pai encontrar!


Encontram-se por fim...
Viva! Viva Joaquim!
Os pais vêm cansados,
Cheios de peixe, derreados,
Mas tão entusiasmados!
Começa logo o festim!
Viva! Viva Joaquim!
Comem até fartar,
Volta a força, a energia,
Brincar e dançar,
É uma alegria!...
E depois... Descansar...
                  De papo para o ar...


O tempo passou...
O Joaquim mudou:
Tão apessoado!
Camisa branca,
Casaca preta,
Bem penteado.
Diz adeus ao pai e à mãe.
E com a sua “pingúinha”,
Lá vai também,
Repetir o fado...
De novo recomeçado!

 

 

Serra da Amoreira, 29 de outubro de 2008

Para a minha neta,  Maria da Assunção,

no dia dos seus treze anos

 

                                                   Da Avóinha Sãozinha

PARA O ANTÓNIO

 

 

Era uma vez um menino

Que não sabia contar...

Grande e bela cabecinha,

Tinha tanto que pensar...

Era vê-la a rodopiar...

 

Um, dois, cinco, sete,

Treze, vinte, trinta e sete...

Que coisa desengraçada!

Não tem vida, nem tem nada...

P’ra que me hei-de eu ralar?...

 

Vestiram-se os números de gente,

Pensou-se uma história bonita,

Ficou o menino tão contente...

Que à noite, nesse dia

Já todos os números sabia!

 

O “pequeno da Avóinha”

Com as graças que Deus lhe deu,

Por este mundo a cirandar...

Amou, viveu e sofreu,

A todos procurou ajudar...

 

Fez-se homem. Pensa bem,

Mas a criança que era

Continua a ser também,

A árvore vem da semente,

O Filho é sempre da Mãe!...

 

 

                            Serra da Amoreira, Outubro de 2007

Um beijo muito grande da

         Avóinha Sãozinha

Amor é…

 

Amor dos avós pelos  netos é, quando os netos vêm cá a casa e estão todo o tempo a ver televisão e a jogar com a Play Station, mesmo assim os Avós ficam cheios de saudades quando eles vão embora e com imensa pena de não estarem mais tempo com eles.

 

Amor dos netos  pela Avó é:

     Ler para a avó, mesmo  com  tom castiço, quando a Avó está em baixo…

 
    Quando a Avó está doente,passar noites ao pé da Avó
sem dormir, para lhe dar apoio…

   Emprestar a Avó o seu tesouro de ouvir música, e ficar sem ele
        muito tempo só para a Avó se deliciar…

   Ensinar a Avó a usar o computador…

   Estar muito quietinho ao pé da Avó e dar-lhe um abraço…

   Escrever coisas no e-mail que envaidecem a Avó…

   Escrever que a avó é muito melhor que o computador…

  Dizer adeus e Tchau quando não sabe ainda falar…

       Etc. …, etc. …

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Lagarta e o João Gaspar

A LAGARTA E O JOÃO GASPAR


Era uma vez uma lagarta,
Uma lagarta esforçada.
Andava e lagartava…
Lagartava e andava…
Mas nunca chegava,
Só se cansava…

A lagarta andava…
A seguir parava…
Agora descansava,
Logo recomeçava…

E o João Gaspar,
De rabito no ar,
Espiava a lagarta
Sem desanimar!...

Chamava, a Mãe,
Para almoçar,
Nem respondia
O Joáo Gaspar!

Tão concentrado,
Sem pestanejar,
Encantado
Com o lagartar!...

Tanto espiou
Que se cansou,
De mansinho
Adormeceu… e sonhou:

Estava à mesa,
A almoçar…
E a seu lado
A lagarta… a conversar!

De garfo e faca,
Com correcção,
Comia e bebia
E cortava o pão!

E sorria…
Toda contente,
Limpava a boca
E dava ao dente…

E o João Gaspar
Comia também,
E entusiasmado,
Chamava a Mãe:

Vem ver
A lagarta a comer!
…Bateu as palmas,
E acordou sem querer.

Os olhos abriu,
Que desilusão!
A lagarta fugiu…
E ele… no chão!

OMeu Cavalo Bolacha Maria

O MEU CAVALO “BOLACHA MARIA”

Eu gosto tanto do meu cavalo...
Do meu cavalo “Bolacha Maria”.

Corro com ele noite e dia,
Sem descanso e sem parar,
Sempre a andar... e a sonhar...

Corremos nas pradarias,
Mas também no meu quintal,
Basta-me fechar os olhos, e ver
O meu cavalo a correr...

Corre tanto como o vento,
O vento da imaginação,
Leva-o longe o pensamento,
Voa com o meu coração!

O cavalo é o meu segredo,
Ninguém mo pode tirar
Já não sei o que é ter medo:
Nem de monstros ao luar,
Nem foguetes a estoirar!

Meu querido“Bolacha Maria”
Queria nunca te perder,
És a minha companhia
Aconteça o que acontecer...

sábado, 10 de março de 2012

Mães da Natureza

I
Mãe vaca dá bezerrinho
E mãe égua cavalinho,
Mãe cabra dá cabritinho…
Qual delas melhor mãe,
Para o mal e para o bem?
Que meninos tão ladinos,
Começam logo a andar,
Vão às mães se aconchegar
P´ra lhes darem de mamar,
E assim os poderem criar.


II
A gata com os seus gatinhos,
A cadela com os cãezinhos,
Como elas são carinhosas!
Às vezes tão amorosas,
Que a gata cria o cãozinho
E a cadela o gatinho.


III
Aos passarinhos no ninho
Dão carinhos pai e mãe.
Mas, quando o perigo vem,
Fogem rolas, fogem melros,
E fogem pombas também.
Só as aves de rapina
Não fogem, não, de ninguem,
Correm com os predadores,
Ciosas dos seus amores!
Pelicanos rasgam o peito
Para os alimentar...
Pica-paus e papagaios
Mais tempo os vão cuidar







IV
Mãe coruja tem corujinhos
Que lindos os os meus filhinhos,
Tão espertos e perfeitinhos,
Diz à águia bem contente,
Se os vires, toma cuidado,
E não lhe metas o dente...
Viu a águia uns coitados,
Bem feios e depenados,
De olhos esbugalhados,
Sem graça, mal amanhados!
Não são da coruja, pensou,
E num instante os papou...
A coruja, triste ficou,
Nunca mais se consolou.
E, chorosa, assim pensou:
Meus corujos, uma beleza,
Águia feia, águia malvada,
Coisa má da natureza...
Amor de Mãe e mais nada!


V
Tartarugas e lagartos,
Rãs e sapos e serpentes,
Põem mil ovos sem fim...
São tantos os descendentes,
Nem os conhecem assim!
Mãe jacaré é excepção:
Trata  o ninho com cuidado,
Ajuda os filhos a nascer,
Depois, adeus... lá se vão...
Lá se vão... até morrer!








VI

Mães humanas!?... Que  falar?...
Tanto havia p´ra dizer...
Gerar.. cuidar…
Nutrir… Educar…
Tanto partilhar e sofrer…,
Desde o nascimento até morrer
Elas nos amam…
Sem esmorecer!




VII

Para toda a criação:
Grandes, velhos, pequeninos,
Bichos mansos e felinos
Dia da Mãe! Que beleza!
São elas que, de certeza,
Os guardam no coração!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Menino, a Nuvem, a Andorinha ea Amiga


O Menino, a Nuvem, a Andorinha e a Amiga

Era uma vez um Menino que vivia numa nuvem…
Não me perguntem como lá foi parar. Não sei...
Nasceu lá?... Foi em pequenino?...
Não sei… nem interessa para a nossa história.
Só sei que vivia lá e parecia feliz.

Andava sempre descalço, a nuvem era macia, fazia-lhe cócegas nos pés e isso era agradável.
Também não precisava de se vestir, quando tinha frio enrolava-se nos flocos de algodão da nuvem e ficava quentinho.
Para comer, era só chupar o ar da nuvem e ficava alimentado.
Para dormir, aquele colchão de nuvens era o melhor do mundo.

Mas, passado algum tempo, o Menino começou a andar triste, não sabia o que tinha…
Resolveu chamar a Mãe Natureza para lhe pedir ajuda. Disse-lhe: “Não sei o que tenho. Nada me falta nesta nuvem tão bonita, mas, sinto-me triste”.
A Mãe Natureza percebeu logo o que se passava: “Estás triste porque precisas de um ser vivo ao pé de ti, na nuvem é tudo bom, mas não há vida e por isso te sentes só. Vou-te ajudar.”

Saiu dali e deu logo ordem a uma andorinha que andava na Terra para que voasse para a nuvem e fosse fazer companhia ao Menino.
Ela voou, voou, durante dias e chegou muito cansada. O Menino preparou-lhe logo uma covinha, entre os flocos da nuvem, para poder descansar.
Lá se instalou e começaram a conversar. Ela falava e ele ouvia. Ela tinha muito que contar: Falou-lhe dos beirados dos telhados onde ela e as amigas faziam os ninhos para os seus filhos, disse-lhe que a Mãe Natureza na Terra era muito bonita, falou-lhe dos mares, dos rios, dos lagos, das fontes, das florestas, dos montes, dos vales, dos campos e das flores.
E o Menino ouvia e fazia perguntas e já se ria e estava mais contente.
E ela não o quis desgostar, e por isso não teve coragem para lhe dizer que na Terra também havia homens maus que estragavam a Natureza.

O Menino gostava de poder ter algumas daquelas coisas de que a andorinha falava. Então lembraram-se que ela podia ir à Terra buscar algumas sementes para semear na nuvem.
Voltou a fazer a grande viagem e regressou passado dias, carregada de sementes e muito, muito cansada. Aninhou-se no ninho fofinho e lá ficou enquanto o Menino foi semear todas aquelas sementes. Ao voltar encontrou-a feliz, no seu ninho, a chocar 5 ovinhos.

Entretanto aquela nuvem foi-se transformando. As sementes germinaram, já havia erva, flores, arbustos e árvores grandes a crescer. As crias da andorinha já tinham nascido e esvoaçavam por todo o lado, felizes. O Menino e a andorinha estavam contentes. A Mãe Natureza apareceu para lhes fazer uma visita. Ficou encantada com o trabalho que tinham feito e resolveu colaborar também. Com a sua varinha mágica aumentou a nuvem, deu um aspecto diferente às plantas e povoou tudo com animais.
Apareceu um lago com peixinhos. À volta do lago relva, depois um jardim com canteiros de flores de todas as cores, sebes, um olival, uma seara, até um pequeno laranjal e lá muito ao longe uma floresta. E por todo o lado animais. No jardim havia borboletas e um gato esticado ao Sol, atrás das sebes cavalos e vacas a pastar e um rebanho de ovelhas acompanhadas por um cão pastor. No olival havia coelhos que corriam para um e outro lado e lá longe na floresta, com certeza, muitos animais selvagens.

A Mãe Natureza também vestiu o Menino, deu-lhe umas botas, ensinou-o a fazer uma choupana e a colher os frutos para se alimentar. Depois foi-se embora e deixou o Menino e a andorinha felizes.

Só passado algum tempo é que a andorinha, que andava radiante com as suas crias, reparou que o Menino, embora não dissesse nada, às vezes, sentava-se no chão, cruzava os braços punha-se a pensar, chorava e as lágrimas caíam e desfaziam-se na relva. Ficou apreensiva. O que havia de fazer? Ele não queria falar…

Aquela tristeza durou muito tempo e a andorinha um dia resolveu ter uma conversa séria com o Menino.
“O que é que tens? Não estás contente? A Mãe Natureza ajudou-nos a fazer um mundo tão bonito, só para nós, nada nos falta e tu estás triste?”
“É verdade,” respondeu o Menino, “temos tudo o que impressiona os nossos sentidos: Vemos as lindas cores, as paisagens, os animais nossos amigos e eu vejo-te a ti e tu vês-me a mim. Ouvimos mil sons maravilhosos, o rio a correr, o vento a assobiar nas árvores, os pássaros a cantar. Sentimos o aroma das flores e o cheiro da relva acabada de cortar. Apreciamos o mel das nossas abelhas e o gosto das nossas frutas maduras. Acariciamos os nossos animais: a garupa do cavalo, a lã das ovelhas, e brincamos com os seixos redondos dos nossos rios. Pois é temos tudo isto, mas…”
“Mas quê?” insistia a andorinha admirada, “tens tudo… que mais precisas?”
“Tu não podes compreender, tens os teus filhos, a mim o que me falta…”, dizia o Menino “é alguém em quem eu possa confiar, que me possa entender e eu entendê-lo, que me possa ajudar e eu ajudá-lo, que possa rir e chorar comigo… Tu és minha amiga mas és diferente… não, não podes perceber…”
“Lá isso é verdade, não percebo nada” e a andorinha já meio arreliada, encolhia os ombros: “vocês, os Meninos são tão complicados!”
Desta vez, foi o Menino que se zangou: “Insuportável andorinha, não percebes mesmo nada. Aquilo que me faz falta, mesmo muito falta, até neste preciso momento, é um AMIGO.”
E o Menino desatou a chorar e a andorinha desgostosa não o soube consolar.

Felizmente andava por perto a Mãe Natureza e ouviu aquela conversa. Ela compreendia o Menino e para dizer a verdade até estava à espera daquela reacção.
Então disse-lhe: “Eu posso resolver o teu problema, posso dar-te uma AMIGA com quem te entendas muito bem e com quem poderás até povoar o teu pequeno planeta. Sim, tu agora já não vives numa nuvem fofinha mas num pequeno planeta, que eu e tu e a andorinha fomos criando a pouco e pouco. Mas só te dou essa AMIGA se ambos me fizerem uma promessa solene: Hão-de cuidar sempre muito bem do vosso planeta. Não haverá poluição, nem guerras, nem maldade, nem pessoas egoístas a quererem tudo só para si.”
O Menino concordou logo. Gostava tanto da sua nuvem-planeta, era mesmo o que queria, tê-la sempre impecável e viverem nela em Paz e com Alegria.

No dia seguinte, que era domingo de Páscoa, chegou a Amiga, a Menina. Veio num balão de ar quente todo enfeitado com flores e acompanhada pela Mãe Natureza. Não me perguntem donde vinha, não sei, nem isso faz diferença para a nossa história, estava ali para ser a AMIGA do Menino e tornar alegre aquele pequeno planeta.
Fizeram os dois a promessa solene à Mãe Natureza, na presença de todos os animais, e passou a ser essa a preocupação maior da sua Vida: manter o planeta limpo, arejado, produzir alimentos saudáveis, dar trabalho a todos, ajudarem-se uns aos outros, divertirem-se sem se incomodarem, enfim, serem criativos, responsáveis, alegres e diligentes.
Houve uma grande festa. Cantaram, dançaram, divertiram-se e comeram muitos ovos de chocolate. Tantos, que no fim ainda sobraram para enviar para a Terra e se espalharem por aí, pelos nossos quintais.
Prometam também à Mãe Natureza cuidar bem dela e corram a apanhar os ovos de chocolate (olhem que são de produção biológica). Juntem-nos num grande cesto para que depois os possam dividir igualmente por todos os meninos, para que todos fiquem amigos.